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Julio Maria

Jornalista Cultural | Biógrafo | Crítico Musical | Músico

Terça-feira, 12 de maio de 2026

'Fim da Eldorado não é nenhuma surpresa', diz João Lara Mesquita

  

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João Lara: "Contrariando essa a ideia de obsolescência, o rádio FM em São Paulo vive um momento de força". Foto: Julio Maria

história se repete, mas seu final, agora, é um tanto mais trágico. Muito do que se passa com relação ao fechamento da Rádio Eldorado, uma das marcas mais fortes do rádio brasileiro, criada em 1958 pelo Grupo Estado, foi vivido por João Lara Mesquita, o jovem da família convidado para assumir a emissora em 1982, aos 27 anos de idade.

 

A diferença é que, antes da primeira derrocada, em 2003, quando os quatro herdeiros de Doutor Ruy Mesquita foram afastados da direção do jornal por decisão dos acionistas pertencentes a um outro ramo da família, houve coragem para se fazer uma revolução ainda que nem os Mesquitas acreditassem nela.

João estudava música nos Estados Unidos quando seu tio Juca, José Vieira de Carvalho Mesquita, primo-irmão de seu pai, Ruy, percebeu que ele andava desiludido com a possível carreira de músico: “Por que você não volta ao Brasil e assume a Eldorado? Aquilo é um elefante branco que só dá prejuízo. Dinheiro você não terá, mas, se quiser, eu te ajudo”. Ele quis.

Ao voltar, João se deparou com o caos. Havia enormes dívidas trabalhistas, funcionários contratados desde 1958 que nunca haviam pisado na redação, comerciais eram proibidos, o sinal era fraco, os programas soavam envelhecidos, locutores levavam 30 minutos para dizer bom dia e a dinâmica era a mesma de uma padaria: a emissora fechava à 1h da manhã para voltar a transmitir às 6h.

Hoje, aos 70 anos de idade, João Lara, recuperado de um câncer linfático raro diagnosticado em 2016, fala com exclusividade sobre os dias de luta como diretor da empresa (“saímos do zero para nos tornar um sucesso”), de glória (“eu amava acordar todos os dias para trabalhar”), de crise silenciosa (“quando o jornal cresceu, a rádio e tudo o que não era Estadão foi deixado de lado”), de seu primeiro fim (“ligaram na redação em 2003 e disseram: ‘Você vai ter de sair hoje’”), de seu primeiro luto (“a Eldorado deu sentido para a minha vida. Sem ela, entrei em depressão profunda”) e do fim definitivo da rádio, marcado para o próximo dia 14 de maio (“administrando como eles administravam, não era possível ter sucesso. Ninguém aguenta tanto prejuízo”).

 

Como você se sente ao saber que a Rádio Eldorado vai fechar?

Fico triste, mas, para mim, não é nenhuma surpresa. Eu convivi com essa possibilidade a vida inteira. Pelo histórico, isso não me surpreende. Eu ouvi a vida toda que vivíamos o último ano da rádio. Contratava as pessoas dizendo: “Quero que saiba que a rádio pode ser vendida a qualquer momento”. Precisava ser sincero com elas. Sabia que ia acontecer, era questão de tempo. Administrando como eles administravam, não era possível ter sucesso. Ninguém aguenta tanto prejuízo. E vou te dizer uma coisa: há muito tempo não ouço mais rádio. O sofrimento pelo qual passei depois de sair da emissora foi dramático demais. Mas mantenho contato com amigos que fiz no meio e confirmei que eles estão muito felizes, além de ganharem bastante dinheiro. A diferença é simples: eles cuidam do que têm.

O Grupo Estado divulgou um comunicado dizendo que a decisão do fechamento se deu por “mudanças profundas nos hábitos de consumo de rádio”. As pessoas estariam ouvindo menos rádio por estarem mais envolvidas com a internet. Qual sua opinião sobre isso?

É uma desculpa mal elaborada, feita às pressas. Eu mesmo fui pesquisar com publicitários amigos e dados oficiais. O meio rádio não sofreu tanto assim, não procede. O faturamento do meio rádio no Brasil nos últimos 10 anos apresentou uma trajetória de resiliência e crescimento real, especialmente na fase pós-pandemia. Somente em 2025, o crescimento de 5,86% foi 38% superior à inflação (IPCA) do período.

Contrariando a ideia de obsolescência, o rádio FM em São Paulo vive um momento de força. Cerca de 79% a 80% da população ouve rádio regularmente. Mas, sim, as redes ‘antissociais’ provocaram modificações. Por exemplo, o consumo via YouTube (33%), aplicativos próprios (13%) e redes sociais (7% a 12%) cresceu significativamente. E o Estadão não investiu para que a Eldorado FM pudesse disputar as verbas deste novo nicho. Por isso, o site da Eldorado funciona como um portal de notícias e cultura, enquanto os concorrentes são, predominantemente, plataformas de serviços e streaming.

Pela força da marca, a Eldorado não deveria ser mais presente nas redes sociais?

O Instagram da Eldorado FM tem menos seguidores que o canal do Mar Sem Fim, que faço eu com mais ninguém. São 76 mil seguidores contra menos de 60 mil da emissora. No Facebook é pior. Enquanto a Eldorado FM tem 71 mil seguidores, a página do Mar Sem Fim tem 150 mil. Mas, no YouTube, é melancólico. A Eldorado tem 6,6 mil seguidores enquanto o Mar Sem Fim tem 48 mil. Culpa de quem? Dos funcionários é que não é. Eles são heróis. Além de manterem o Norte com enorme dignidade, imagino o que aguentaram: falta de elo com a administração e muitas demandas sem resposta. As redes sociais mostram a emoção que o fechamento está causando.

Por que você não conseguiu mais ouvir a emissora?

Porque... (suspiro). Sair da forma como eu fui saído me fez viver um drama brutal. A Rádio Eldorado deu sentido para a minha vida. Eu amava trabalhar lá, amava. Acordava de manhã e dizia: ‘Oba!’ Eram 12, 13 horas por dia de trabalho. E quando não estava lá, ouvia a emissora o tempo todo para identificar algum possível problema. Eu tinha seis aparelhos de rádio em casa. Quarto, banheiro, salas, escritório, cozinha. Desligava um e ligava o outro. Passava o dia todo ouvindo. Era obcecado. Ouvia o jornalismo e as músicas, para saber se havia alguma quebra na programação que eu montava. Ao sair, entrei em uma profunda depressão. 

Como foi sua saída da empresa em 2003, pode falar sobre isso?

Claro, até quero que saibam, já que tenho recebido nos últimos dias muitos recados e percebo que as pessoas ainda não têm noção do que aconteceu. Dia desses um amigo escreveu pelo Facebook: “João, tenho um amigo investidor para ajudar a Eldorado”. Pensei: “Cara, você ainda não percebeu que fui saído do Grupo?. Não falei assim, claro, mas é isso. Os meus primos se uniram para botar o ramo do Dr. Ruy, meu pai, para fora em 2003. Foi o que houve.

 

Como se deu esse processo?

A vida inteira o jornal teve um acordo de acionistas que era muito equilibrado. Na origem, eram dois Mesquitas: o Julio e o Francisco. Julio cuidava da redação, Francisco da administração. Logo, os filhos do Julio cuidaram da redação (Julio Neto, Dr. Ruy e Carlão Mesquita) e os filhos do Francisco das áreas administrativas (José Vieira de Carvalho Mesquita, o Tio Juca, na área administrativa financeira, Luiz Vieira de Carvalho Mesquita, Tio Zizo, na área industrial, enquanto tia Cecília cuidava do Suplemento Feminino. E a vida inteira houve um acordo de acionistas estipulado em 50% para cada. Ninguém poderia tomar uma decisão isolada. Havia esse equilíbrio todo.

O grande erro que vejo foi a não preparação de uma sucessão que deveria ser feita pela terceira geração de Mesquitas, a geração anterior à minha. Eu, meus primos e irmãos somos da quarta geração. Como seria quando a terceira geração morresse? Quem iria assumir cada área? Entendo que a sucessão não foi feita porque eles sabiam que, se fizessem, haveria atrito na família. Em minha visão, foi uma opção comodista.

E então veio a crise...

Sim. Eles botaram uma bomba relógio no nosso colo, no colo na quarta geração. Isso ao mesmo tempo em que surgiu a internet, causando uma derrocada da mídia mundial (no início dos anos 2000). Cada condado nos Estados Unidos tinha três ou quatro jornais. Milhares fecharam. Hoje há meia dúzia de casos de sucesso, como o New York Times, The Guardian, e outros. Eles investiram pesadamente na internet, se transferiram para lá e conseguiram sobreviver.

Então, boa parte dos problemas está ligado à administração?

Apesar das ótimas qualidades da família, a administração nunca foi o forte. Também porque, na empresa, ainda usávamos um sistema monárquico: o filho mais velho assumia o lugar do pai. Então, Julio Mesquita foi o primeiro, meu bisavô. Ele teve nove filhos. Quando morreu, quem assumiu? Julio Mesquita Filho, meu avô. Quando ele morreu, quem assumiu? Julio Mesquita Neto. E assim seria, sucessivamente. Mas, quando chegou a terceira geração, a geração de meu pai, houve uma preocupação porque muitas empresas começaram a quebrar. Estava evidente que tínhamos um problema: quando Julio Neto morresse, quem iria assumir?

 

Quem?

Se seguíssemos a lógica histórica, seria o filho dele, Julinho. E era isso que eu acho que ele esperava. Mas o fato é que quando Julio Neto morreu sobraram outros dois da terceira geração: Dr. Ruy e Tio Zizo, Luiz Vieira de Carvalho Mesquita, na época o presidente do Conselho. Algum tempo depois de Julio Neto morrer, Tio Zizo determinou que meu pai assumisse o Estadão. Meu pai nunca pediu rigorosamente nada, mas o Zizo exigiu.

E como a família reagiu?

Isso gerou um mal-estar tremendo e Zizo morreu logo depois, de velhice. Assim, aproveitando o clima ruim, os outros primos cooptaram o desgostoso (Julinho Mesquita) para se aliar ao grupo deles. E foi assim. Ao todo, a quarta geração tem 15 acionistas. Quando Zizo morreu, onze deles formaram um bloco. Nós quatro — João, Fernão, Ruyzito e Rodrigo — fomos escanteados.

E como ficou a situação de Doutor Ruy?

Meu pai votou obviamente contra a saída da família da empresa. Ele achava um absurdo, uma loucura. O grande ativo que o jornal tinha eram os Mesquitas. Mas foi o voto dele contra os 11 do outro lado. Eles venceram e nós saímos. Para piorar o que já era ruim, encarceraram meu pai na página três do jornal, a página dos editoriais. Ele só poderia cuidar dos editoriais, sem dar palpite na redação. Lembro que, quando papai lia coisas mal feitas, matérias sem sentido, quase morria de dor no fígado, mas não podia fazer nada porque não tinha autoridade da família para agir na redação. Agora, me diga: como é possível limitar a ação do melhor jornalista de sua geração, como dr. Ruy era visto unanimemente, em prejuízo da própria empresa?

E quanto a vocês, da quarta geração?

Nós fomos colocados para fora da empresa sem possibilidade de dar qualquer palpite na administração. Eu soube do fim da Eldorado, por exemplo, quando li o comunicado! Hoje tem lá o Conselho Consultivo e tal, mas veja: cada um dos meus irmãos tem 4% das ações. Cada um dos 15 tem 4%. A parte do Dr. Ruy consiste então em 16%. O resto é deles. Eles querem assim, então não temos como interferir. A maioria vence ou perde...

Como foi seu último dia na Eldorado?

Como conto no livro Eldorado,

a Rádio Cidadã (marsemfim.com.br/livros-dvds/eldorado-a-radio-cidada/), as coisas estavam estranhas naquele mês. Tudo confuso, muita fofoca e pouca clareza. Então, um dia me disseram que aquele seria o último. Foi aí que liguei ao gestor, Eloi Gertel, que estava em reunião com meu primo Chico, já então o número um. Pedi que me dissesse quem viria me substituir de modo que eu pudesse explicar aos gerentes e pedir que colaborassem. Para meu espanto, levei mais um coice: “Não posso dizer”. Acredite, foi assim.

E o que você fez?

 

Escrevi um comunicado geral, transcrito na íntegra no livro, lembrando nossos melhores momentos, me despedindo e desejando sucesso. O meu sofrimento inteiro está lá. Depois de sair, passei um ano e meio com crises de pânico. Pensei que fosse morrer. Emagreci dez quilos, não conseguia sair de casa e não conseguia entender por quê. Alguma força me impedia.

 

E eu não entendia o que estava acontecendo. Tinha falhas terríveis de memória. Ia ao clube para fazer ginástica e, no meio do caminho, me esquecia para onde estava indo. Até que fui diagnosticado com síndrome de pânico. Fazia terapia quatro vezes por semana e tomava remédios psiquiátricos. Tratei por um ano e meio e descobri que esse quadro estava relacionado com perdas. Na época, além de sair da Eldorado, me separei de Gabriela, a mãe dos meus filhos.

Duas perdas ao mesmo tempo

 

Sim, para mim a felicidade era ter uma família bem formada e um trabalho de que eu gostasse. Eu tinha os dois. Eu amava a Eldorado de paixão, me divertia, aprendia muito e tenho amigos deste tempo até hoje.

 

Como começa sua história na Eldorado?

Eu fui estudar música erudita em Nova York, nos anos 80, e meu Tio Juca, José Vieira de Carvalho Mesquita, com quem tinha uma relação pra lá de especial, ia para lá com alguma frequência. Nós tínhamos uma amizade de pai para filho. Certa vez, ele foi e me viu muito triste. Expliquei que sabia que nunca faria carreira musical. Eu começara os estudos de música muito tarde, aos 17 anos, e chegara à Manhattan School of Music aos 24, idade em que os maus alunos já saíam formados. Demorou, mas minha ficha caiu. Então ele disse: “Por que você não volta ao Brasil e assume a Eldorado? Aquilo é um elefante branco que só dá prejuízo, ninguém sabe o que fazer com aquilo. Dinheiro você não terá, não adianta pedir, não vamos dar. Se você quiser assumir esse desafio, eu te ajudo”. Antes de ir para os Estados Unidos, cheguei a trabalhar em programas como Concerto do Meio-Dia e Piano ao Cair da Tarde. Já tinha algum conhecimento da situação dramática que a rádio vivia.

Já era dramática?

Sim, era absolutamente dramática. Quando meu Tio Juca fez o convite, eu aceitei. Achei que era um bom desafio. Desembarquei em São Paulo em março de 1982 e, em julho, assumi a direção como diretor executivo de radiodifusão, cargo que nem existia no Grupo Estado até então. As emissoras paravam de transmitir à 1h da manhã para só voltar ao ar no dia seguinte, às 6h.

A AM não pegava na cidade de São Paulo. O canal 700 kWh era uma sobra de um canal paraguaio. Dizem, não sei se é lenda, que o Juscelino Kubitschek, presidente na época da concessão, teria feito isso de propósito. Entregar uma concessão pública para o Grupo Estado, tradicionalmente combativo, era como você armar o exército do inimigo. Então, ele não poderia negar a concessão, já que o Estadão era um grupo de comunicação. Mas a história é de que tal concessão foi escolhida a dedo para dar problemas.

E deu, ao que parece...

Sim. Por causa disso, tiveram de construir a antena de transmissão da AM no topo da Serra do Mar. Quem usava o caminho da serra velha passava, antes de começar a descer, pela antena da Eldorado. Isso fazia com que a emissora tivesse um baita sinal em Santos, mas que mal pegava em São Paulo onde estava a possível audiência e os anunciantes. Quando a emissora foi lançada, em 1958, São Paulo era uma cidade relativamente pequena. Em 1982, a cidade havia crescido muito e, com ela, o ruído elétrico. E isso fez com que, aos poucos, o sinal não pegasse mais. A AM praticamente sussurrava em São Paulo. 

E a FM?

A FM não tinha problema de som. Mas, a programação era inteiramente pré-gravada, no estilo ‘música de consultório’, e com locutores que demoravam 10 minutos para dizer “bom dia”. Tudo tinha que ser gravado antes de ir ao ar. A escolha da ordem das músicas era feita por uma máquina enorme que chamávamos de “Amélia”. A rádio não era fria, era gelada!

Como que, mesmo com o sinal fraco, a emissora AM conseguiu fazer sucesso?

Quando foi chamado pela família Mesquita em 1958, o diretor artístico Carlos Vergueiro criou simplesmente uma BBC para São Paulo. Espetacular, que fez um brutal sucesso, com programas como Cinco Minutos com Paulo Autran, Música de Cinema com Sérgio Viotti, Noite de Jazz com Armando Aflalo, Ópera Completa aos domingos, e outros. Nos anos 60, a rádio chegou a dar um lucro significativo. Mas, depois desse início, nunca mais houve uma revisão da programação. Nada mudou, nem um fato importante: quando a rádio foi inaugurada, ela não aceitava jingles. Meu avô, Julio Mesquita Filho, pensou a rádio para que ela pudesse transmitir cultura e os valores do Grupo Estado, democracia e liberalismo, para o público de São Paulo. Uma mentalidade altruísta, mas que se tornou completamente ultrapassada. E, logo no começo, disseram a ele que não era possível. Sem aceitar comerciais a emissora seria um peso insuportável para o Grupo. Assim, eles permitiram não os jingles, com aquelas musiquinhas, mas textos comerciais lidos pelos locutores.

Como assim?

Jingles não entravam no ar. Quem quisesse veicular comerciais precisava mandar as mensagens via texto que era lido pelo locutor. “Pirelli: seguro como as mãos do papai”. “Banco Safra, tradição secular de segurança”. Não aceitava jingles. Você veja como o grupo pensava. Ainda assim, a rádio foi um tremendo sucesso.

Como esse sucesso todo vira uma situação dramática?

Quando fui escrever o livro sobre meu período na rádio assim que saí, entrevistei antigos funcionários, que hoje já morreram. Queria entender como uma rádio que nasceu tão vitoriosa estava naquele estado deplorável que encontrei. Eu sabia que a rádio havia feito um enorme sucesso quando foi criada, mas não sabia o que a levou a se tornar uma caricatura de si mesma. Ela estava perdida no tempo. Os funcionários mais antigos explicaram que, no começo, a família ajudava muito a rádio. Segundo eles, meu pai era uma espécie de mentor do jornalismo. Tudo o que o jornalismo fazia naqueles anos 60 tinha o aval dele, a parte musical era supervisionada pelo meu tio Carlão (Luis Carlos Mesquita), e a financeira, por Tio Juca.

Nos anos 60 e 70, o Grupo Estado teve um crescimento brutal. De uma empresa de porte médio, para uma grande empresa que chegou a ter de mais de 5 mil funcionários. Uma edição de domingo do Estadão tinha até 400 páginas!

Ouvi uma autocrítica de meu pai várias vezes: a empresa cresceu, mas o corpo de direção não cresceu, permaneceu o mesmo: “A empresa ficou acéfala”, dizia meu pai. Aqueles seis personagens da terceira geração, três filhos do Julio de Mesquita Filho, três filhos do irmão dele, Francisco Mesquita, investiram no jornal (Estadão). E esse foi o motivo que levou a Eldorado ao abandono. A rádio e os outros braços do Grupo que não fossem o core business naquela época, leia-se jornal O Estado de S.Paulo, ficaram a ver navios.

 

E a rádio não aceitava comerciais.

Como poderiam querer que a rádio se pagasse? Uma delas não pega em São Paulo, as duas param à 1h da manhã entregando a audiência para a concorrência, os locutores demoram minutos para dizer ‘alô’ e ambas não aceitam jingles. Como dar lucro?

Qual foi a saída?

 

Quando cheguei, eu disse: temos que dar um jeito de fazer a AM pegar, precisamos ficar 24 horas no ar, e passar a aceitar jingles. Vi muita cara feia porque íamos aceitar jingle. E eu precisava de pelo menos mais dois locutores e dois operadores em cada emissora para preencher o buraco da 1h às 6h. Além disso, um programador para a FM. Outra coisa: tínhamos de ter um gerador, nem que fosse um simples gerador a diesel, porque eu não poderia sair do ar como acontecia quando acabava a energia. 

Não me deram autorização para ter um programador, só um locutor. Com isso, eu tive que assumir a programação musical da madrugada da FM, o Toque de Classe que ia da meia-noite às 06hs da manhã. Além do meu trabalho como diretor das duas emissoras, fui convidado por Tio Zizo, que dirigia o Teatro de Cultura Artística, a ajudá-lo a modernizar a gestão.

Era um desespero porque eu tinha de achar 106 músicas diferentes todos os dias para colocar no ar da meia-noite às 6h. Acabamos lançando assim a nova programação da Eldorado FM, e foi um sucesso.

Contratamos locutores jovens e os treinamos para falarem naturalmente, serem simpáticos com os ouvintes e valorizarem a programação, mas sem a gritaria que imperava na época. Saímos do zero na audiência e fomos lá para cima.

E a AM?

A AM tivemos de dar um jeito de fazê-la pegar antes de mudar a programação. Quando cheguei, em 1982, ela transmitia corridas de cavalo cinco dias por semana, além dos programas de música erudita, jazz, ópera etc. Aos sábados e domingos, a transmissão dos páreos começava por volta do meio-dia e seguia até a noite. Nos dias de semana, os páreos começavam às 18h e continuavam até quase meia-noite.

O jornalismo era uma piada. Quando inauguraram o novo prédio na marginal em 1975, levaram a redação da Eldorado para lá, mas deixaram o resto da rádio no prédio da Major Quedinho. Jornalistas não entravam no ar, apenas os locutores podiam falar. Se o presidente fosse assassinado, o jornalista deveria redigir uma nota na Marginal, essa nota ia de carro até o centro da cidade para o locutor ler a notícia. Algo absolutamente surreal. 

E o sinal?

Só poderíamos contar como o ano zero da AM quando estivéssemos pegando em São Paulo. Precisávamos de um transmissor, mas era muito caro. Algo como 300 mil dólares. O nosso engenheiro, um jovem que eu havia contratado, bolou um sistema novo de antena. Era possível fazer uma antena direcional. Com as tecnologias novas da época, as próprias torres fariam uma cunha para não jogar som para o Sul, de modo que o sinal não entrasse no Paraguai. Essa engenharia levou alguns anos. E conseguimos, enfim, um transmissor nacional fazendo uma permuta: a fábrica de transmissores queria crescer, precisava de um terreno, e nós tínhamos o terreno. Em troca, ganhamos dois transmissores de 25 kWh de potência. Com eles, nosso engenheiro fez uma gambiarra para conectar um com o outro e fazê-los chegar a dar 35 ou 40 kWh de potência. Porque todas as rádios naquele momento tinham transmissores de 50 kWh. Era o mínimo para pegar bem em São Paulo. Juntamos os dois. Não era um som tão forte quanto o da Bandeirantes, mas, ao menos, deixou de sussurrar para São Paulo.

E então lançamos a Nova Eldorado AM, que também foi um arraso de tanto sucesso. Ela acabou sendo chamada pelos ouvintes de “a rádio cidadã”. Não foi uma invenção de uma agência de publicidade nem minha nem de ninguém. O público passou a chamá-la assim porque participávamos de todas as lutas da cidade. E veja: tudo isso foi feito na “década perdida”, quando a inflação batia nos 50% ao mês e mal sabíamos o nome da moeda. Ainda assim, a Eldorado levantou voo. E que voo.

Não eram apenas as rádios. Modernizei o antigo Concurso de Piano Eldorado, que revelou João Carlos Martins nos anos 60. Criei o Prêmio Eldorado de Música, que durava um ano, com apresentações ao vivo no Cultura Artística. E ainda vendi as cotas de patrocínio.

A impressão é de que a Eldorado, além de rádio, conseguia se posicionar como marca...

Sim. O PEM, como chamávamos o Prêmio Eldorado de Música, durou dez anos. O primeiro vencedor foi um trompista, um rapaz simpático, magrinho, filho de um sargento da Polícia Militar. Um dos prêmios era uma ajuda para uma bolsa de estudos no exterior. Foi assim que Roberto Minczuk pôde estudar na Juilliard School of Music. E, de lá, ganhou o mundo.

Criamos, também, o Prêmio VISA de MPB que também durou dez anos e revelou Yamandu Costa, Mônica Salmaso e André Mehmari, entre muitos outros. Desmascaramos a Voz do Brasil numa campanha liderada pela Eldorado que, pela primeira vez, uniu todas as rádios. Todas as rádios de empresários do meio – isso quer dizer, menos as mais de duas mil emissoras que (o ex-presidente) José Sarney deu aos políticos que votaram por um ano a mais de seu mandato – participaram. Todas, com exceção da Jovem Pan.

E ainda fomos os protagonistas da maior campanha ambiental que já houve em São Paulo: a campanha pela limpeza do Rio Tietê, fruto da nossa aposta de dar ao meio ambiente o espaço que o meio rádio então negava.

 

Mas como era possível, sem verba, competir com as grandes emissoras? 

Eu decidi fazer tudo o que as outras rádios não faziam. E o que as outras faziam nós não faríamos. Ficamos meses analisando isso. Os outros locutores mostravam muita intimidade com o ouvinte e gritavam sem parar. Os nossos não fariam isso. Cobrem futebol? Não vamos cobrir. O rádio cobre trânsito? Nós não vamos cobrir trânsito da forma como fazem. As rádios não cobrem meio ambiente? Pois nós vamos cobrir! Fomos criando um modelo.

Eu havia visto que, nos Estados Unidos, a previsão do tempo da mídia era perfeita. Se dissessem que iria nevar três inches e meio em Nova York, você podia ir com uma régua medir e via que realmente nevava três inches e meio. Eles tinham um meteorologista. Aqui, tínhamos gurus. Narciso Vernizzi apurava sobre a frente fria. Descobria que uma estava passando em Paranaguá e imaginava que ela chegaria em São Paulo amanhã. Era assim.

Eu pedi ao gerente de jornalismo, Ademar Altieri, que descobrisse meteorologistas imediatamente para colocarmos no ar. Fomos o primeiro veículo de comunicação do Brasil a usar meteorologistas para a previsão do tempo. Achamos profissionais trabalhando para o governo, no 7º Distrito de Meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Foi assim que conhecemos nomes como Carlos Magno e Josélia Pegorim. Treinamos eles para falarem no rádio e entrarem ao vivo. A prática deu origem à criação do (instituto de meteorologia) Climatempo. Meses depois, a Globo contratou os dois e o Climatempo acabou prestando serviços para vários grupos de mídia inclusive o Estadão.

Qual a saída para a cobertura de trânsito? 

Decidi não cobrir trânsito com carros levando repórteres pelas ruas, até porque não tínhamos nenhum carro e apenas dois ou três repórteres. Só iria cobrir trânsito se conseguíssemos colocar um helicóptero no ar. Então, Geraldo Leite, gerente comercial, conseguiu vender o patrocínio do helicóptero e a rádio se tornou a primeira emissora do Brasil a usar um helicóptero para prestar esses serviços. Em épocas de férias e feriadões, chegamos a usar três helicópteros simultaneamente. E tudo isso para ser mais eficiente que as outras. Sobre a cobertura internacional, percebemos que as outras emissoras raramente cobriam o exterior. Decidimos então ter correspondentes fora do Brasil. 

Mas havia dinheiro para isso?

Eu não tinha dinheiro para contratar 40 profissionais, não deixariam passar no R.H do grupo centralizado na Marginal. Mas correspondentes internacionais poderiam trabalhar pelo modo free lancer (não contratado). Montamos então uma rede de correspondentes no exterior que ninguém tinha, tanto que ganhamos o grande prêmio Líbero Badaró por cobrir ao vivo o massacre da Praça da Paz Celestial. Nosso correspondente, Jaime Martins, era o único jornalista brasileiro em Pequim na época. Quando houve a primeira Guerra do Golfo, a Eldorado surpreendeu, a ponto de sair matéria na Revista Veja dizendo que a emissora era “a CNN do rádio brasileiro”. Passamos três dias fazendo a repercussão. De Paris a Londres, de Londres a Jerusalém. Tínhamos gente no mundo inteiro, incluindo África e Oriente Médio.

Sem falar no show de interatividade promovido por outra invenção nossa, o ouvinte-repórter, depois que os celulares começaram a funcionar. Eles não se limitavam a informações sobre o trânsito. Quanto Yitzhak Rabin foi assassinado numa praça em Israel, recebemos uma ligação de um ouvinte-repórter logo após os primeiros tiros. Naquele sábado à noite, o ouvinte descreveu tim-tim por tim-tim como tudo acontecia, ainda com as sirenes dos carros de polícia como pano de fundo direto de Jerusalém.

Isso sem ajuda dos jornalistas do Estadão?

Eles sabiam fazer jornal de papel, não rádio. Quando assumi, senti que precisava conhecer os funcionários e pedi que minha secretária marcasse reuniões com cada um deles. Acabei descobrindo coisas do arco da velha. 

Por exemplo?

Todos os funcionários jornalistas ou não, haviam sido contratados em 1958. Todos. De 1958 até 1982, só havia entrado uma pessoa no jornalismo. Um sujeito que não deu certo no Estadão e mandaram para lá. Isso era comum também. Quem não dava certo no Estadão, jogavam na Eldorado. Havia na lista dois caras que eu nunca via. Eles estavam na folha de pagamentos, recebiam salário, mas não apareciam. Um era lotado em São Paulo e o outro em Brasília. Quando vi, pensei: ‘Caramba, eu tenho um jornalista em Brasília e não sabia.”

Liguei, queria pedir cobertura a ele. Quando disse que gostaria que mandasse matérias a partir da próxima semana, ele respondeu: “Infelizmente não. Eu estou aqui desde 1958. Nunca a rádio me pediu uma matéria. E eu vou confessar uma coisa: nem sei fazer rádio.” Eu disse: “Você está falando sério?” Ele: “Estou”. Eu desliguei o telefone, liguei para o RH e pedi que o mandassem embora. Fizeram o cálculo da demissão e me retornaram: “Para mandarmos ele embora, teremos de pagar uma indenização de milhões de cruzeiros”. Eu: “O quê!” “Sim, demanda trabalhista, João Lara”. E eu: “Mas o cara não trabalha. Disse que não faz nada desde 1958”. O advogado do Grupo me disse: “Se a empresa deixou, ele adquiriu o direito de não trabalhar e continuar sendo pago”. 

E quem era o outro?

Ele se chamava Ari, de São Paulo. O advogado disse: “Como ele mora em São Paulo, você pode obrigá-lo a ir todo dia, mas não tem como obrigar que faça a jornada inteira de trabalho e nem que trabalhe”. Eu mandei convocar o cara e pedi que viesse todos os dias. O sujeito foi durante um ano. Ia e ficava sentado o dia todo, olhando outras três pessoas trabalharem enquanto ele não fazia nada. Mas eu não tinha dinheiro para mandá-lo embora. Depois de um ano, ele pediu para fazer acordo. Isso mostra como a empresa administrava seus recursos humanos. Herdei o maior passivo trabalhista do grupo Estado e sinto um baita orgulho não do fato de a emissora ter sido chamada de rádio cidadã, do Tietê, da Voz do Brasil, ou da parte musical ser elogiada até hoje, mas por ter conseguido entregar um passivo absolutamente zerado quando saí. A partir de 2003 o grupo jamais perdeu um centavo sequer em demandas trabalhistas da Eldorado. 

Por que a Eldorado não se mudou com os jornais para o novo prédio do Estadão na Marginal Tietê? 

Você pode imaginar que fizeram o prédio da Marginal e esqueceram da Rádio Eldorado? Veja como eram as coisas. Fizeram o prédio e esqueceram da emissora, que se tornou a única rádio no mundo que tinha uma redação fora do seu próprio prédio. Seguimos na Rua Major Quedinho.

Esqueceram mesmo, ou é força de expressão?

Não previram espaço, esqueceram, mas decidiram levar para lá a redação da rádio. Antes do jornal das 13h, os jornalistas batiam as notícias à máquina na redação da Marginal Tietê. Ao finalizar, pegavam um carro e iam até o Centro da cidade para entregar as laudas, que eram levadas ao locutor. Era assim. Aquilo era uma piada de mau gosto. Passei vinte anos desfazendo nós cegos como esse. Agora, eu te pergunto: Quando eu cheguei, as duas rádios davam traço de audiência e zero de faturamento. A culpa era de quem? Do mercado de publicidade que não gostava da Eldorado? 

Quando a rádio passou a dar lucro?

Assim que a FM foi para o ar com a nova programação, começou a fazer dinheiro no mês seguinte. A AM demorou mais até resolver tudo. Mesmo assim, começou a faturar também, mas nunca chegaram ao lucro, no máximo, empatavam. O único insumo que o Estado me deu foi o gerador que só chegou quando mudamos para a Rua Pires da Mota, na Aclimação, em 1991, quase dez anos depois do primeiro pedido!

Em todas as reuniões da diretoria do Grupo de que participava eu perguntava do gerador. Lembro de Tio Julio sorrindo: “Lá vem o João Lara falar desse gerador”. Eu dizia que só iria parar quando saísse o gerador. Por isso digo que me entristece profundamente ver esse fim da Eldorado, mas não me surpreende. Quando me alçaram a diretor executivo na Rádio, minha namorada na época ganhava mais de mesada do pai do que eu de salário. A vida inteira foi assim.

Você disse que cuidava pessoalmente de todas as músicas que tocavam na FM, que escolhia e aprovava cada uma delas. Tinha mesmo de ser assim?

Claro, alguém tinha que afinar a orquestra, eu não podia deixar que nada desvirtuasse nossas escolhas. Acontecia muito de o programador estar em uma fossa tremenda porque o pai morreu, porque brigou com a namorada, sei lá. E, assim, ele poderia colocar o clima da emissora pra baixo. Eu não podia ter uma rádio musical sem um padrão muito, mas muito bem afinado.

Era conhecida também uma postura de a emissora não aceitar dinheiro das gravadoras para tocar seus lançamentos (o famoso ‘jabaculê’).

Nunca houve jabá na Eldorado. Isso porque, já no tempo do Carlos Vergueiro, era proibido que os divulgadores de discos entrassem no prédio. Eles só podiam entregar os discos na portaria, mas eram proibidos de entrar. Eu que aceitei. Achei uma norma ultrapassada e antipática. Acabei liberando a entrada dos divulgadores porque, como era eu quem aprovava a escolha final das músicas, não haveria como o jabá passar. Eu me lembro também do tempo em que as gravadoras, para nos forçar a tocarmos a música que queriam, as lançavam naqueles disquinhos (singles). Seguravam o lançamento do disco e lançavam só uma faixa três meses antes. Eu não tocava. Queria ter o direito de livre escolha. “Volte aqui só quando o disco sair”, dizia.

São raras as marcas de confiança hoje, e a Eldorado parece ter se tornado uma. Mesmo não gostando da emissora ou afirmando que ela não é lucrativa, jogar a toalha não é abrir mão também de poder?

Sim, claro. Mas veja, como é possível isso? Você é dono de uma frequência boa e bem no meio do dial – e isso tem importância, não pense que não. Estou falando dos 92,9, a frequência que era do Grupo Estado. Você vende essa frequência e aluga uma outra que fica no extremo direito, quase caindo do dial. A 107,3, da Brasil 2000, que, ainda por cima, tem problemas de sinal. Me explique a lógica de você vender sua frequência boa, alugar uma ruim e ainda não criar uma área comercial para a emissora? Vou repetir: uma emissora sem área comercial própria. De quem é a culpa se o faturamento não atinge os níveis desejados?

João, por que você está mancando?

Eu não tenho mais cartilagens. Tive um câncer violento e, para descobri-lo, demoraram cinco anos. Era um câncer raríssimo. E o sintoma, ainda mais estranho: coceiras que explodiam de repente. Na coxa, na perna, no rosto, nas costas. Eu arrancava sangue de tanto coçar. De repente, começava a coceira. Por causa disso eu saí procurando médicos. Fiquei cinco anos tomando cortisona, até descobrirem que isso era sintoma da Síndrome Sézary, um tipo de câncer linfático, brabo, totalmente desconhecido no Brasil. Fiz um transplante de medula óssea e consegui curar, mas a cortisona prejudica a parte óssea. Eu quase perdi os dentes e a mesma coisa aconteceu com as cartilagens. O fêmur está batendo direto na bacia. Vou ter de operar, e a operação vai me deixar fora do ar por três meses. Antes da cirurgia, eu quis ver o pessoal que esteve comigo na Eldorado e fiz uma festa aqui em casa para todos eles. Poucas semanas depois, saiu a notícia do fechamento da Eldorado.

Você tem ainda um sonho?

Quero seguir fazendo algo que eu amo, que é percorrer a costa brasileira denunciando os horrores que vejo, com esse modelo de ocupação de ‘casas pé na areia’, um absurdo dos Tristes Trópicos, como digo em meu site. Nunca vi nada tão predatório. Não é preciso destruir a paisagem, muito menos extirpar ecossistemas de apoio às praias como restingas, mangues e dunas, para ocupar uma praia. É por isso que hoje 60% do litoral brasileiro sofre uma erosão cada vez mais forte acirrada pelo aquecimento global, eventos extremos, e a falta destes ecossistemas que se tornaram quintal de casas de ricos, condomínios, resorts. Além disso, deixei amigos desde o Chuí até a Ilha do Marajó. As mídias antissociais ajudaram muito. Sei o que acontece em cada canto do Brasil. Assim que operar a perna, quero voltar a frequentar o litoral como fazia. 

 

Julio Maria

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